Sábado, 23 de Janeiro de 2021

Vegetação do Pantanal pode levar até 50 anos para se regenerar dos graves incêndios




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A professora e pesquisadora associada do Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Conservação da Biodiversidade da Universidade Federal de Mato Grosso (PPG-ECB/IB-UFMT), Cátia Nunes de Cunha informou que, baseado em dados adquiridos em pesquisas, o bioma, que se estende pelo vizinho Mato Grosso do Sul (MS), precisará de cinco décadas para retornar ao que era antes.

“A regeneração, baseada nos resultados adquiridos, acreditamos que levará em torno de 50 anos. Caso a intensidade do incêndio seja mais grave, poderá levar mais tempo”, disse Cátia, em entrevista ao Estadão.

Segundo ela, as áreas que passam constantemente por incêndios têm perda na composição, na estrutura da vegetação e, consequentemente, na perda de habitats para os animais. Para se ter uma ideia, até a segunda quinzena de setembro, o fogo já havia destruído 85% do maior refúgio de onças-pintadas no mundo. Secretária do Meio Ambiente de Poconé, Danielle Assis, informou que foram queimados mais de 300 mil hectares do bioma, nomunicípio.

Para ela, a situação reforça a necessidade de um plano integrado de combate aos incêndios. Além disso, precisa se pensar legislações específicas para o Pantanal. Esta é uma das propostas iniciais da comissão temporária externa que o Senado instalou na semana passada e que visitou a região no último fim de semana.

Na quinta-feira (24), o Governo do Estado afirmou que os focos de incêndio tiveram redução de 80% desde o último sábado (19), quando começaram as primeiras chuvas na região. Porém, as precipitações têm sido extemporâneas ou ocasionais, o ar seco volta a ganhar força e há preocupação de que os incêndios ressurjam.

Além disso, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o Pantanal registra o número mensal mais alto de focos de calor, desde o início da série histórica do próprio órgão, em 1998. Setembro nem terminou e já são 6.048 pontos de queimadas registrados no bioma desde o dia 1º até a última quarta-feira (23).

Já segundo o levantamento do Estado, na quinta-feira, eram 190 pontos de queima, contra 919 da semana anterior, entre os dias 14 e 18 de setembro. Diante do cenário, ontem, o ministro do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, fez um sobrevoo pelas áreas devastadas, em Poconé (110 km ao Sul de Cuiabá).

Esta é a segunda vez que o ministro visita a região para checar as ações de combate ao fogo e a real dimensão dos estragos que vem causando à flora e a fauna locais da maior área úmida do mundo. Em 18 de agosto, Salles sobrevoou, na companhia do governador Mauro Mendes (DEM), áreas próximas ao Parque Estadual Encontro das Águas, em Poconé.

O ministro, no entanto, tem sido alvo de duras críticas devido ao baixo engajamento do Ministério do Meio Ambiente nas ações de combate às queimadas tanto no Pantanal como na Amazônia. Nesta semana, mais de 230 entidades e intelectuais ambientalistas encaminharam ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) cobrando punições de autoridades responsáveis por preservar as florestas brasileiras, entre elas, Salles.

Ainda para ontem, era aguardada a chegada da tropa da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), que se juntaria a equipe de 2.500 profissionais já envolvidos no combate às chamas, desde bombeiros militares, voluntários, integrantes da Defesa Civil e do Exército.

O Instituto Chico Mendes (ICMBio) também enviou mais 160 brigadistas, que também chegaram nesta quinta-feira passada. Uma verdadeira operação de guerra para o combate aos incêndios florestais no Pantanal. Ao fim da visita, o presidente da comissão, senador Wellington Fagundes (PL), classificou o cenário como “devastador e desolador”.

“Hoje, a situação do Pantanal é um estado de guerra. Brigadistas e voluntários estão trabalhando de forma sobre-humana por causa da falta de planejamento. Não nos calçamos através da ciência e da tecnologia para isso”, acrescentou Fagundes. Os senadores que integram a comissão defendem a criação do chamado Estatuto do Pantanal, uma legislação federal específica para o bioma.

FORÇA NACIONAL – Ainda para ontem estava prevista a chegada da equipe formada por 48 militares da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), que deve iniciar nesta sexta-feira (25) as atividades de combate aos incêndios florestais na região do Pantanal.

Além dos bombeiros, o apoio de logística ao Estado contará com 12 viaturas, um micro-ônibus, um caminhão de transporte, um helicóptero e três policiais militares, que vão atuar ainda no Vale do Araguaia, Chapada dos Guimarães e Amazônia. O reforço foi solicitado pelo Governo do Estado e autorizado pelo ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, André Mendonça, em portaria divulgada no Diário Oficial da União, na última quarta-feira (23).

"Essas equipes nos darão suporte no monitoramento, levantamento de área e também na atuação daqueles focos de incêndio que porventura recomeçarem. Será uma otimização dos trabalhos, pois as ações continuam, uma vez que as precipitações de chuva foram leves e as equipes permanecem em campo em todo o Estado até que o período chuvoso de fato tenha início", afirmou, por meio da assessoria de imprensa, o comandante do Comitê Integrado Multiagências de Mato Grosso (Ciman-MT), tenente-coronel Dércio Santos da Silva.

O Governo Federal também repassou R$ 10,1 milhões como recursos de emergência. A verba já está na conta do Estado de Mato Grosso, que finaliza os trâmites bancários para contratação de aeronaves, reforço das equipes de combate aos incêndios, resgates de animais silvestres e compra de retardantes, um insumo que auxilia no controle do avanço das chamas.

Há pouco mais de uma semana, o governador Mauro Mendes decretou situação de emergência. O decreto tem como objetivo dobrar a estrutura para combater os incêndios florestais, uma vez que possibilita contratações em caráter de urgência. Já foram mais de R$ 22 milhões investidos em recursos próprios.


Autor:AMZ Noticias com Diário de Cuiaba


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